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Gabarito comentado, Revisão da Unidade III (Aulas 09 a 12)

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Gabarito comentado apenas dos Blocos B e C. O Bloco A é discutido em sala e não tem gabarito. Use este arquivo depois de tentar resolver sozinho: comparar sua resposta com o comentário (por que a correta está certa e por que cada distratora é tentadora) é o que fixa o raciocínio.


Bloco B

B1. Gabarito: (b). Cruza A10 × A11. O que decide a seleção de resistência é o mecanismo de ação, codificado pelo IRAC (inseticidas) e pelo FRAC (fungicidas); produtos do mesmo código têm resistência cruzada entre si, ainda que com marcas diferentes. Rotação verdadeira alterna grupos distintos, não marcas. (a) confunde marca com ingrediente ativo e ignora que dois ingredientes podem cair no mesmo grupo. (c) é o erro central: aplicar em sequência produtos de classes químicas diferentes mas mesmo grupo equivale, para a resistência, a repetir o mesmo produto. (d) troca o critério: espectro amplo nada tem a ver com diversificar mecanismo. Aulas cruzadas: A10 (IRAC) × A11 (FRAC).

B2. Resposta esperada. Cruza A10 × A11. Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda): polífaga, atravessa as três culturas; o milheto é hospedeiro preferencial, produz mais adultos por metro quadrado que o milho, e milheto entre dois milhos mantém a população-fonte da praga na entressafra. FFSC (F. verticillioides, F. proliferatum, F. thapsinum, F. andiyazi): o ensaio de inoculação cruzada mostrou ausência de especificidade de hospedeiro entre milho, sorgo e milheto (isolado de qualquer origem infecta as três); é necrotrófico e sobrevive na palha, de modo que a rotação entre os três recicla o mesmo pool. Nematoide Pratylenchus brachyurus: milho e sorgo são bons hospedeiros (FR ≥ 1), e ele ocorre em cerca de 95% das áreas de grãos de MT/GO; rotacionar entre gramíneas hospedeiras multiplica o inóculo. O que barra cada um: contra a lagarta, romper a ponte verde, refúgio estruturado, rotação de mecanismos IRAC e controle biológico (Telenomus remus, Trichogramma, Doru luteipes); contra o FFSC, manejo de resíduo, cultivar resistente e tratamento de semente; contra o nematoide, intercalar uma má hospedeira de FR < 1 (Crotalaria spectabilis, Brachiaria ruziziensis). Aulas cruzadas: A10 × A11.

B3. Gabarito: (a). Cruza A09 × A11. O adensamento é tática cultural correta contra daninha (antecipa o fechamento do dossel e o sombreamento), mas lavoura densa, bem nutrida e de dossel fechado retém mais umidade, prolonga o molhamento foliar e cria microclima favorável ao fungo: a mesma decisão que persegue o teto abre a porta à epidemia. (b) inverte a fisiologia (as daninhas são suprimidas pela competição, e muitas germinam bem a grande profundidade, não por precisarem de sombra). (c) inventa um efeito repelente inexistente. (d) o herbicida de contato depende de cobrir a daninha com a gota, não do dossel da cultura. Aulas cruzadas: A09 (controle cultural por dossel) × A11 (molhamento foliar).

B4. Gabarito: (c). Cruza A09 × A10. A seletividade do nicosulfuron no milho vem do metabolismo diferencial via citocromo P450; os organofosforados (acefato) inibem o P450, e sem essa detoxificação o herbicida se acumula e causa dano, por isso o intervalo exigido é de 7 dias. É incompatibilidade metabólica específica, não cautela genérica de bula. (a) inverte o efeito (o organofosforado bloqueia, não acelera, a degradação). (b) ignora que os dois compartilham o mesmo sistema enzimático. (d) troca o alvo do problema: quem perde a proteção é a cultura, não o inseticida. Aulas cruzadas: A09 (seletividade por P450) × A10 (organofosforado).

B5. Resposta esperada. Cruza A11 × A12. A cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) é necrotrófica e específica do milho e sobrevive nos restos culturais de milho na superfície; milho sobre milho em plantio direto deixa a palha infectada como fonte de inóculo para a safra seguinte, e o dossel adensado e úmido completa a condição predisponente. Como o inóculo depende da palha do próprio hospedeiro, afastar o milho da sua palha por rotação/sucessão com espécie não hospedeira (a soja é a parceira ideal) corta a fonte, e é por isso que não repetir milho sobre milho tem efeito fitossanitário direto. Já o míldio (Peronosclerospora sorghi) é fungo de solo cujos oósporos sobrevivem anos no solo, independentemente da espécie por cima: contra ele a rotação falha, e a decisão passa por cultivar resistente e tratamento de semente. Amarrar em sistema: sucessão (mesma sequência todo ano) não é rotação (alternância planejada de famílias), e convém não repetir poáceas em sequência direta. Aulas cruzadas: A11 (necrotrófico de palha × fungo de solo) × A12 (monocultura, sucessão e rotação).

B6. Gabarito: (d). Cruza A10 × A11. A Dalbulus maidis é de monofagia funcional: reproduz-se apenas no milho e usa soqueiras e plantas voluntárias como abrigo entre cultivos, de modo que a medida central contra os enfezamentos é eliminar voluntárias e soqueiras (fechar a ponte verde), somada a cultivar resistente. (a) inventa uma biologia (a cigarrinha não se reproduz no sorgo). (b) contradiz o enunciado (o vetor é monófago, não polífago). (c) é a armadilha frequente: o tratamento de sementes mata a cigarrinha ao se alimentar, mas depois de ela já ter inoculado o patógeno. Aulas cruzadas: A10 (vetor monófago, ponte verde) × A11 (enfezamentos).

B7. Resposta esperada. Cruza A09 × A12. Sem graminicida seletivo, e sendo ambas gramíneas C4 que disputam recursos com daninhas C4 de mesma fisiologia, a única defesa de sorgo e milheto contra gramíneas daninhas é o sombreamento e a competição da própria cultura: entrar bem estabelecido, com estande cheio, espaçamento reduzido e palhada, aproveitando que a primeira planta a se estabelecer tende a excluir as demais. O manejo cultural vira a espinha dorsal. Isso conversa com o destino de sistema (A12): o milheto tem o menor índice de colheita dos cinco cereais (0,20 a 0,35), porque o portfólio nacional foi selecionado para palhada, não para grão (2,68 t/ha nas cultivares nacionais contra 4 t/ha nas africanas), e produz de 8 a 15 t de matéria seca por hectare, com C/N de 70:1 a 100:1, a melhor cobertura para o plantio direto no Cerrado. O sorgo forrageiro e de duplo propósito segue a mesma lógica. A fragilidade no controle químico de daninha e a vocação para cobertura/forragem apontam para o mesmo lugar, e destinar essas culturas à cobertura é decisão de sistema. Aulas cruzadas: A09 (arsenal mínimo, controle cultural) × A12 (índice de colheita, palhada, sistema).

B8. Gabarito: (b). Cruza A10 × A12. O percevejo-do-grão suga o endosperma em formação, uma das causas do gessamento; o grão gessado tem grânulos de amido frouxos, é frágil e quebra no polimento, derrubando o rendimento de grãos inteiros, parâmetro que define o preço do arroz (base 58/12). (a) subestima: o gessamento é interno, não sai no polimento, e é ele que quebra. (c) inverte o sinal econômico: mais quebrados significa deságio, não ganho. (d) troca de cultura e de física: o peso hectolítrico é parâmetro do trigo, e o grão gessado é menos denso (tem microespaços de ar). Aulas cruzadas: A10 (percevejo-do-grão) × A12 (gessamento, rendimento de grãos inteiros).

B9. Resposta esperada. Cruza A09 × A10 × A11. O eixo comum é a seleção de resistência pela subdose: a dose reduzida deixa sobreviver os indivíduos parcialmente resistentes (nos inseticidas, os heterozigotos, que carregam a maior parte dos alelos de resistência no início do processo), seleciona a resistência sem eliminar o alvo, o pior dos dois mundos. Herbicida (A09): reduzir a dose acelera a seleção sem controlar a daninha; a prevenção é usar, misturar e rotacionar mecanismos HRAC e integrar métodos culturais. Inseticida no refúgio (A10): a estratégia de alta dose com refúgio pressupõe herança recessiva e depende de matar o heterozigoto; subdosar mina essa lógica; a regra é seguir a dose de bula, rotacionar grupos IRAC e preservar os suscetíveis do refúgio. Fungicida unissítio (A11): não usar dose reduzida do unissítio, que acelera a seleção sem controlar a doença; associar sempre um multissítio e rotacionar códigos FRAC. Fechar com a simetria do próprio texto (subdosar fosfina no expurgo seleciona praga resistente sem eliminar a infestação) e notar que também a sobredose acelera resistência nos inseticidas (risco de "super-resistentes"): por isso a regra é seguir a dose de bula com equipamento calibrado, nem para mais nem para menos. Aulas cruzadas: A09 × A10 × A11.


Bloco C

C1. Resolução (4 casas decimais). Cruza A11 × A12. (i) Valor da lavoura = Y × P = 3.808 × 1,50 = R$ 5.712,0000/ha. (ii) Denominador = Y × P × Ec = 3.808 × 1,50 × 0,75 = 5.712 × 0,75 = 4.284,0000. d ≥ Cc ÷ (Y × P × Ec) = 200 ÷ 4.284 = 0,0467 (isto é, 4,6685%). Leitura: se a projeção de perda por deixar a doença progredir superar cerca de 4,67% da produtividade, a aplicação se paga; se for menor, não se paga. O passo seguinte no campo seria traduzir esse dano proporcional em severidade na folha indicadora, pela função de dano da doença. (iii) Como o preço (P) está no denominador, preço mais alto derruba o limiar (o denominador cresce, d cai): passa a valer a pena controlar com menos doença, porque cada quilo salvo vale mais. A decisão de doença é mais preventiva que a de praga porque a doença progride depois da avaliação e o dano depende de quanto tempo durará o clima favorável, o que obriga a olhar a previsão do tempo e a proteger o tecido que ainda vai encher grão. Aulas cruzadas: A11 × A12.

C2. Resolução (4 casas decimais). Cruza A12 × A09. (i) Produtividade = 15 × 30 × 10 = 4.500,0000 kg/ha = 4.500 ÷ 60 = 75,0000 sc/ha. (ii) Perda (35%) = 4.500 × 0,35 = 1.575,0000 kg/ha. Produtividade realizada = 4.500 − 1.575 = 2.925,0000 kg/ha = 2.925 ÷ 60 = 48,7500 sc/ha. (Se a convivência fosse o ciclo todo, a perda chegaria a até 70%: 4.500 × 0,70 = 3.150,0000 kg/ha perdidos, restando 1.350,0000 kg/ha.) (iii) A interferência das daninhas é irreversível: passado o fim do PAI, a redução não se recupera, porque a competição na janela crítica já estrangulou os componentes de rendimento que se fechavam naquela fase (lógica multiplicativa da Aula 12). Controlar aos 60 DAE elimina a daninha, mas não devolve o grão que deixou de ser fixado; e o controle tardio já não tem função, pois o dossel do sorgo tende a suprimir novas emergências após o PTPI. Aulas cruzadas: A12 × A09.

C3. Resolução (4 casas decimais). Cruza A12 × A11. (i) Pcu = 8.000 × (100 − 19) ÷ (100 − 14) = 8.000 × 81 ÷ 86 = 648.000 ÷ 86 = 7.534,8837 kg a 14%. Diferença = 8.000 − 7.534,8837 = 465,1163 kg, que é água que evapora na secagem, não perda de grão. Ignorar a correção faria o produtor vender água pelo preço do grão. (ii) Para milho em grão para posterior processamento, o LMT de fumonisinas (B1+B2) é 5.000 µg/kg. Como 4.800 < 5.000, o lote está dentro do limite para essa matriz. (iii) Para farinha de milho, fubá, canjica, canjiquinha e flocos, o LMT cai para 1.500 µg/kg. Nesse destino, 4.800 > 1.500, e o lote ficaria acima do limite, reprovado. É o erro comum de comparar a análise contra o limite errado: o grão para processamento tolera mais toxina que o produto que vai direto ao consumo, e o LMT casa-se com a matriz exata. Aulas cruzadas: A12 × A11.