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Gabarito comentado, Aula 01: Importância das Sementes e Introdução à Produção e Tecnologia de Sementes

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Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: será discutido em sala. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio no ponto indicado, entender por que a resposta é essa vale mais que acertar.

Bloco B

B1. Resposta: (A).

Um lote pode descer de categoria, de semente para grão, quando reprova nos padrões exigidos para comercialização; o caminho inverso não existe: grão não se torna semente por decisão posterior ao beneficiamento.

(B) É falsa, porque o beneficiamento padroniza fisicamente o lote e remove impurezas, mas não melhora a qualidade fisiológica intrínseca, não "eleva" a germinação.

(C) É falsa: assinatura do responsável técnico ou procedência não substituem o atendimento aos padrões mínimos.

(D) Supõe uma reversibilidade que não existe.

B2. Resposta: (D).

A qualidade de sementes é a interação dos quatro componentes (genético, físico, fisiológico e sanitário), sem hierarquia: se apenas um deles não atende ao padrão mínimo, o lote não é aprovado, independentemente do desempenho dos outros, por isso a germinação de 50% reprova o lote.

(A) Supõe que a "maioria" boa aprova.

(B) Supõe uma compensação entre componentes que o texto nega explicitamente.

(C) Inventa uma hierarquia (genética acima da fisiológica) que não existe.

B3. Resposta: (B).

A germinação é medida em condições controladas e representa o potencial máximo de plântulas normais; o vigor vai além, determinando a emergência rápida e uniforme no campo variável, inclusive adverso (solo frio, seco, compactado). Lotes de germinação idêntica podem ter vigor bem diferente, e essa diferença só aparece no campo.

(A) É falsa (o teste de germinação não replica o campo).

(C) Atribui a diferença a erro de medição.

(D) Supõe que aumentar a densidade compensa a qualidade, o que o ensaio de milho da própria aula desmente.

B4. Resposta: (C).

Royalty e taxa tecnológica são instrumentos distintos: o royalty incide sobre a cultivar (Lei nº 9.456/1997), pago pelo multiplicador ao obtentor no ato da licença de produção; a taxa tecnológica incide sobre o evento transgênico (Lei nº 9.279/1996, de patentes), paga pelo agricultor sobre toda a produção que usa o transgene, inclusive a semente salva.

(A) Funde as duas cobranças em uma só.

(B) Troca os papéis (dá ao royalty o comportamento e o pagador da taxa tecnológica).

(D) É falsa, pois comprar semente certificada apenas regulariza o pagamento no momento da compra, não elimina a taxa sobre a produção da semente salva.

B5. Resposta esperada:

A compensação por densidade não é equivalente. No ensaio com o BRS 201, com germinação de 95% a produção variou entre 6.650 e 7.320 kg/ha conforme a densidade (de 50 a 70 mil plantas/ha); já com germinação de 75%, mesmo na maior densidade testada, ficou entre 5.840 e 4.006 kg/ha nos dois anos, abaixo do que se obteve com 95% já na menor densidade.

Jogar mais semente ruim no chão não recupera o que a germinação baixa perdeu, porque a planta que não emerge não responde a nenhuma tecnologia aplicada depois. É por isso que o padrão mínimo de germinação é um piso técnico, não mero requisito administrativo: o "desconto" no lote pior vira prejuízo no estande e no rendimento.

B6. Resposta esperada:

A semente é, ao mesmo tempo, produto e veículo dos avanços da genética. Opera em dois planos: (1) genético, carrega o genótipo selecionado pelo melhorista após anos de cruzamentos, avaliações em rede e testes de valor de cultivo e uso e, nos transgênicos, os eventos de transformação (tolerância a herbicida, resistência a inseto, tolerância a estresses); (2) tecnologias embarcadas aplicadas após o beneficiamento, tratamento fungicida e inseticida, inoculantes (Bradyrhizobium japonicum e B. elkanii; co-inoculação com Azospirillum brasilense), bioestimulantes, incrustamento e peletização.

Sem a semente como veículo, nenhum desses avanços chega ao solo: ela é o ponto de entrada da tecnologia no sistema produtivo.

Bloco C

C1. Resolução (4 casas decimais):

(i) Diferença absoluta: 3.100 − 2.100 = 1.000,0000 kg/ha.

(ii) Superioridade percentual (tomando a menor produtividade como base): (3.100 − 2.100) ÷ 2.100 × 100 = 1.000 ÷ 2.100 × 100 = 47,6190%.

(iii) Comentário: a diferença de 1.000 kg/ha não pode ser atribuída só à semente: outros fatores de manejo também diferem entre as duas situações (e entre os estados). A correlação entre a taxa de utilização de semente selecionada e a produtividade é forte e costuma ser citada para ilustrar o retorno econômico da semente certificada, mas não isola o efeito da semente das demais variáveis de sistema. O número mostra tendência, não causalidade exclusiva.

C2. Diagnóstico esperado:

A premissa de que a semente é o item mais caro é frágil: sementes selecionadas geralmente representam parcela pouco expressiva do custo de produção, e o custo de oportunidade de economizar com material próprio de baixa qualidade tende a ser maior que o de adquirir semente certificada, pelos efeitos do vigor deficiente sobre o estande e a competição inicial com plantas daninhas.

Cruzando os pontos: (1) a semente salva perde as garantias da certificação, rastreabilidade, identidade da cultivar e verificação dos quatro componentes de qualidade (sem boletim ou laudo); (2) qualidade fisiológica incerta significa risco ao estande, o ponto de partida que nenhum outro insumo compensa; (3) sendo cultivar transgênica, a taxa tecnológica incide também sobre a semente salva (Lei nº 9.279/1996), então a "economia" pode ser parcial ou ilusória.

Conduta recomendada: avaliar o custo real da semente frente ao risco de estande e enxergar a semente certificada como seguro de qualidade e conformidade legal, não como despesa a cortar.