Gabarito comentado, Aula 02: Formação, Desenvolvimento e Maturação de Sementes¶
Tip
Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: será discutido em sala. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio no ponto indicado, entender por que a resposta é essa vale mais que acertar.
Bloco B¶
B1. Resposta: (C).
O tegumento deriva integralmente dos integumentos do óvulo (tecido materno, 2n) e reflete só a planta-mãe; por isso a contaminação por pólen estranho não aparece na semente colhida nesta safra, e sim na geração seguinte, quando o embrião (2n, mãe + pai) crescer como planta.
(A) É falsa: o embrião é diploide e combina os dois progenitores, então a contaminação está nele.
(B) Erra duas vezes, o endosperma é triploide e carrega informação dos dois progenitores (não é "materno") e não denuncia mistura a olho nu.
(D) Contraria a origem materna do tegumento.
B2. Resposta: (B).
A maturidade fisiológica é definida pelo máximo acúmulo de matéria seca (fim da Fase III), e na soja isso ocorre com teor de água ainda alto, aproximadamente 50%, a semente está completa muito antes de "secar".
(A) Confunde maturidade fisiológica com maturidade de colheita (aproximadamente 14 a 18% no Cerrado).
(C) É falsa, pois colher antes da maturidade fisiológica captura reservas incompletas e vigor comprometido.
(D) Inverte a relação, o teor de água não identifica a maturidade, apenas calibra o momento da colheita.
B3. Resposta: (D).
Temperaturas acima de 30°C na Fase III causam maturação forçada: a translocação das reservas é acelerada e incompleta e a clorofila não é degradada, gerando as sementes esverdeadas, que sinalizam estresse na maturação e se associam a menor germinação e vigor.
(A) Atribui o verde ao nitrogênio, sem base no texto.
(B) Inverte o sentido (o verde indica estresse, não vigor superior).
(C) Confunde semente esverdeada com semente dura (impermeabilidade tegumentar), que é fenômeno distinto.
B4. Resposta esperada:
A soja é autógama: a polinização geralmente se completa antes da abertura completa da flor (intervalo pólen-fertilização de 8 a 10 h), o que minimiza o cruzamento natural, logo o risco de fecundação por pólen estranho é baixo e o isolamento pode ser mínimo.
O milho é alógamo, de polinização pelo vento: o pólen é transportado por centenas de metros, tornando a fecundação cruzada muito provável e exigindo isolamento de 200 a 300 m para preservar a pureza genética.
Em síntese, o mecanismo reprodutivo (autogamia x alogamia anemófila) determina a intensidade do manejo de isolamento.
B5. Resposta esperada:
A maturidade fisiológica é o referencial biológico (máxima matéria seca; a partir dela a semente está completa e começa a se deteriorar), mas com aproximadamente 50% de água a semente é úmida demais para a colhedora operar sem dano, por isso se espera a maturidade de colheita (aproximadamente 14 a 18%, referencial operacional).
O intervalo entre os dois pontos é período de risco: no fim da safra de verão do Cerrado, temperatura alta e umidade relativa elevada aceleram a deterioração, e chuvas podem precipitar a germinação pré-colheita.
Conduta: monitorar o campo após a maturidade fisiológica e colher assim que for operacionalmente viável (não deixar o lote na lavoura), preferindo colheitas noturnas ou nas primeiras horas do dia, quando a umidade relativa é maior e a temperatura menor, o que reduz o choque de embebição e os danos mecânicos.
B6. Resposta esperada:
As reservas vêm do fluxo de sacarose via floema, tendo as folhas como principal órgão-fonte; não há conexão vascular direta com o embrião, então os fotossintatos são descarregados no apoplasto da região do funículo e absorvidos ativamente pela semente.
Quando muitos drenos competem pelos assimilados, ou quando a folhagem senesce, adoece ou sofre estresse no fim do ciclo, o enchimento fica comprometido, com reservas incompletas e menor vigor. Na soja, esse período crítico é aproximadamente R5-R6.
Como o teto da qualidade fisiológica é fixado no campo, cuidar da fonte fotossintética durante o enchimento rende mais em vigor do que operações posteriores, que apenas conservam o que já foi estabelecido.
Bloco C¶
C1. Resolução (4 casas decimais):
Aumento percentual = (expostas − protegidas) ÷ protegidas × 100 = (824 − 367) ÷ 367 × 100 = 457 ÷ 367 × 100 = 124,5232%.
O aumento supera 100%: mais da metade do rendimento de sementes por umbela nas plantas expostas depende diretamente dos insetos polinizadores.
Discussão: numa espécie entomófila, o manejo de polinizadores não é acessório, é parte do próprio potencial de rendimento de sementes da cultura. Assegurar a presença de polinizadores (por exemplo, introdução de colmeias e cautela com aplicações de inseticida durante o florescimento) passa a ser decisão de produtividade do campo de produção. O mecanismo de reprodução (dependência de vetor animal) dita, assim, uma linha de manejo específica.
C2. Diagnóstico esperado:
Dois eventos independentes se somaram.
(1) Estresse na Fase III (R5-R6): temperatura acima de 30°C e o déficit hídrico do veranico reduzem a fotossíntese e encurtam o enchimento, daí as sementes menores, com menor matéria seca. O calor provoca maturação forçada, com clorofila não degradada, gerando as sementes esverdeadas, sinal de estresse na maturação associado a menor germinação e vigor. No Cerrado, os veranicos de janeiro e fevereiro coincidentes com o enchimento são o principal fator ambiental de comprometimento da qualidade.
(2) Atraso de colheita mais chuvas de março (após a maturidade fisiológica): o excesso hídrico pré-colheita favorece fungos e pode precipitar a germinação pré-colheita (desequilíbrio da razão ABA:GA), comprometendo germinação e sanidade, o período pós-maturidade fisiológica é de risco.
Teto irreversível: o dano foi fixado no campo; o beneficiamento não reconstitui vigor.
Condutas: para este lote, testar germinação, vigor e sanidade, e considerar destino a grão se reprovar. Para as próximas safras: ajustar a época de semeadura ao grupo de maturação (evitar que o enchimento caia no período de veranico), preservar a integridade foliar durante R5-R6 e colher próximo do ponto ideal (não deixar o lote na lavoura após a maturidade fisiológica), preferindo colheitas nas horas de menor temperatura.