Pular para conteúdo

Gabarito comentado, Aula 04: Germinação de Sementes

← Voltar para a aula

Tip

Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: será discutido em sala. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio no ponto indicado, entender por que a resposta é essa vale mais que acertar.

Bloco B

B1. Resposta: (C).

Em baixa temperatura, as membranas, tanto mais quanto maior o teor de ácidos graxos saturados, transitam para o estado gel, no qual não barram bem a saída de solutos; se a reidratação é rápida, a água entra antes de a membrana voltar ao estado fluido, e o resultado é extravasamento celular. Por isso aquecer a semente seca antes da semeadura reduz esse dano.

(A) Atribui ao frio o que o texto associa ao calor (a dormência secundária).

(B) Erra o alvo, o dano é de membrana, não inativação permanente de enzima.

(D) Confunde dano por embebição a frio com asfixia por falta de oxigênio.

B2. Resposta: (A).

A fase I é absorção predominantemente física, dirigida pelo potencial matricial, e ocorre em sementes vivas e mortas (tegumento permeável). O critério de morte não é a ausência de captação de água, é a incapacidade de retomar o metabolismo e progredir para as fases II e III; a diferença aparece na progressão, não na embebição inicial.

(B) É falsa (semente morta não se recupera).

(C) Confunde captar água com viabilidade.

(D) Supõe que a fase I prevê germinação, quando ela nem separa viva de morta.

B3. Resposta: (B).

A soja tem emergência epígea: o hipocótilo se alonga e leva os cotilédones acima da superfície. Semeada a mais de aproximadamente 8 cm, o hipocótilo pode não ter energia de reserva suficiente para completar o percurso, e a emergência falha, o vigor do lote amplifica ou atenua essa limitação.

(A) Inverte o padrão (soja não é hipógea; coleóptilo é estrutura de gramínea).

(C) Confunde profundidade com dormência física (que depende de tegumento impermeável).

(D) Erra o efeito, mais fundo o solo tende a ser mais ameno, não a ultrapassar a temperatura máxima.

B4. Resposta: (D).

No priming, a semente é hidratada até um potencial que ativa o metabolismo da fase II, reparo de membranas, reparo de DNA, síntese proteica a partir de mRNAs pré-formados, início da mobilização, sem atingir a fase III (sem protrusão, sem crescimento celular líquido). Ressecada e semeada, retoma esse estado avançado e germina com mais velocidade e uniformidade.

(A) Inverte o princípio (o priming para antes da fase III, para não deixar protruir).

(B) Troca o mecanismo, o que segura a semente é o potencial osmótico, não um patamar de teor de água.

(C) É falsa: o priming não substitui reservas, a nutrição do eixo continua vindo da própria semente.

B5. Resposta esperada:

O que governa é o balanço entre ABA e giberelinas, não o nível isolado de cada um. O ABA age como guardião da dormência: inibe a síntese de mRNAs de alfa-amilase, bloqueia genes de crescimento celular e promove fatores de transcrição que mantêm a dormência. A GA promove a germinação por três vias: ativa alfa-amilase e outras hidrolases na aleurona (via degradação das proteínas DELLA pelo complexo GID1), enfraquece enzimaticamente as estruturas que circundam a radícula e promove a expansão celular do eixo.

O efeito assimétrico: sobre as enzimas que enfraquecem o endosperma ao redor da radícula, a GA nunca inibe, só promove ou é neutra, e o ABA nunca promove, só inibe ou é neutro. Essa sinalização assimétrica é o que sustenta o papel do ABA como guardião da dormência.

B6. Resposta esperada:

A rota converte lipídio em sacarose: as lipases hidrolisam os triglicerídeos dos corpos de óleo em ácidos graxos livres e glicerol; os ácidos graxos passam por beta-oxidação nos glioxissomas, gerando acetil-CoA; o ciclo do glioxilato (via exclusiva de plantas e microrganismos) converte esse acetil-CoA em malato e succinato; por gluconeogênese reversa forma-se sacarose, translocada pelo floema cotiledonar ao eixo embrionário. É essa rota que permite à soja sustentar o crescimento inicial a partir da reserva de óleo, mesmo sem endosperma amiláceo volumoso.

Importância para o vigor: ela abastece o eixo com carbono e energia até a transição para autotrofia (duas a três semanas após a emergência); a quantidade e a integridade dessa reserva condicionam a massa inicial da plântula e sua tolerância a estresses de estabelecimento.

Bloco C

C1. Resolução (4 casas decimais):

Equação de Michel e Kaufmann, com C em g/kg de água, T em °C e P₀ em bar.

C = 200 g/kg, T = 25°C (C² = 40.000; C·T = 5.000; C²·T = 1.000.000):

Termo 1: −(1,18×10⁻²)(200) = −2,3600. Termo 2: −(1,18×10⁻⁴)(40.000) = −4,7200. Termo 3: +(2,67×10⁻⁴)(5.000) = +1,3350. Termo 4: +(8,39×10⁻⁷)(1.000.000) = +0,8390.

P₀ = −4,9060 bar.

C = 300 g/kg, T = 25°C (C² = 90.000; C·T = 7.500; C²·T = 2.250.000):

Termo 1: −(1,18×10⁻²)(300) = −3,5400. Termo 2: −(1,18×10⁻⁴)(90.000) = −10,6200. Termo 3: +(2,67×10⁻⁴)(7.500) = +2,0025. Termo 4: +(8,39×10⁻⁷)(2.250.000) = +1,8878.

P₀ = −10,2698 bar.

(ii) A solução de 300 g/kg (−10,2698 bar) é mais negativa que a de 200 g/kg (−4,9060 bar): impõe restrição osmótica maior.

(iii) No priming, a solução precisa ter potencial osmótico levemente mais negativo que o do embrião: a fase I ocorre normalmente, mas a fase II se prolonga, pois não se atinge o potencial exigido pela expansão celular da fase III, a semente fica hidratada e metabolicamente ativa (completando os reparos), sem germinar. A restrição osmótica é o próprio mecanismo do tratamento. Ressalva: se for negativo demais, chega a retardar a fase I; ajustar a concentração é o que calibra o tempo de fase II.

C2. Diagnóstico esperado:

As sementes eram viáveis e a germinação de laboratório era alta, a falha não está na viabilidade, e sim na cadeia germinação, emergência e estabelecimento em campo adverso, onde o vigor (que o boletim padrão não mostra) é o discriminador. Cruzando os fatores do texto:

Solo quente e seco por 6 dias antes da chuva: solo quente e seco acelera a deterioração antes da embebição, e a reembebição abrupta após o período seco pode causar dano por embebição rápida.

Profundidade de aproximadamente 8 cm: está no limite do padrão epígeo da soja, o hipocótilo pode não ter reserva suficiente para levar os cotilédones à superfície, sobretudo em lote de vigor menor.

Crosta superficial: solos com crosta aumentam o gasto energético da emergência, penalizando ainda mais a plântula já enfraquecida.

O boletim é uma fotografia em condição ótima: não incorpora vigor nem prevê emergência sob esse conjunto de estresses.

Conduta recomendada: avaliar o vigor do lote (envelhecimento acelerado, condutividade elétrica ou tetrazólio) antes de decidir; ajustar a profundidade para dentro da faixa segura da soja; sempre que possível, semear em janela de umidade que evite os dias de solo seco e quente e a reembebição abrupta; ajustar a densidade com a ressalva de que aumentar a taxa não corrige a desuniformidade de emergência.