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Gabarito comentado, Aula 05: Vigor de Sementes

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Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: será discutido em sala. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio no ponto indicado, entender por que a resposta é essa vale mais que acertar.

Bloco B

B1. Resposta: (C).

Aquela tabela quantitativa (Matthews e Powell, 1981) foi construída para ervilha, e são os únicos padrões publicados com base experimental suficiente para uso geral. Para soja e milho não existem faixas universais; empresas estabelecem índices internos por correlação própria com a emergência a campo. Aplicar os valores de ervilha a um laudo de soja é um erro técnico comum.

(A) Inventa um corte de soja que não existe.

(B) Inverte a relação, a condutividade é inversamente proporcional ao vigor (mais lixiviação de eletrólitos, menor vigor).

(D) Inverte a aplicação, a condutividade serve para decidir semeadura antecipada e é justamente menos preditiva do comportamento em armazenamento prolongado.

B2. Resposta: (A).

O envelhecimento acelerado expõe a semente a estresse (alta temperatura e umidade próxima de 100%) para simular deterioração futura, sendo o teste indicado para prever o comportamento sob condições adversas, e é a referência internacional (ISTA/AOSA) para soja.

(C) A condutividade avalia a membrana no momento presente e serve para semeadura antecipada, não para simular deterioração futura.

(B) e (D) São testes fisiológicos, rápidos e simples, porém menos sensíveis a diferenças sutis e sem qualquer simulação de estresse futuro.

B3. Resposta: (D).

O teste precisa ser repetido sempre que a umidade final ficar fora da faixa da tabela, porque essa variação altera a intensidade real do estresse imposto e invalida a comparação entre lotes, 34% está acima de 27 a 30%.

(A) Contradiz diretamente o texto.

(B) Inventa uma correção inexistente, já que o protocolo é fixo.

(C) Confunde uma falha de execução do teste com uma característica do lote: a absorção excessiva indica que o estresse foi mais severo que o padronizado, e não que o lote é ruim.

B4. Resposta: (B).

É justamente o lote de nível médio que se comporta ora como alto, ora como baixo vigor conforme o teste, e o argumento técnico para esse caso é o uso combinado de dois ou três testes de princípios distintos antes de uma decisão crítica (AOSA/ISTA). Um único teste basta para ranqueamento geral, mas é insuficiente para separar lotes intermediários.

(A) Confia num teste isolado, insuficiente aqui.

(C) É inválida, combinar por média resultados de testes diferentes não é comparação válida, pois cada categoria de teste enxerga uma propriedade distinta do vigor.

(D) Supõe, sem base, que o problema é erro de leitura da condutividade.

B5. Resposta esperada:

Reconheça primeiro a parte verdadeira da premissa: quando o estande é corrigido e equalizado, o efeito do vigor sobre a produção final em culturas de grão (milho, soja, feijão, trigo) não é registrado de forma consistente na literatura (TeKrony e Egli, 1991), é maior na fase de plântula e quase desaparece a partir da fase reprodutiva. Mas isso não fecha a favor do baixo vigor:

(1) igualar o estande já custa mais semente, o lote de baixo vigor exige aproximadamente 15% mais sementes por metro (Scheeren, 2002) só para empatar o número de plantas;

(2) mesmo corrigido, o baixo vigor gera emergência desuniforme, um componente de produtividade independente do número de plantas, que a densidade não resolve;

(3) o benefício do alto vigor aparece nas bordas da janela de semeadura, antecipada, solo quente, chuvas irregulares, maior profundidade, onde o baixo vigor falha;

(4) há benefício documentado sobre estande e produtividade (até aproximadamente 10% em soja, França-Neto et al., 1983).

Conclusão honesta: pagar por alto vigor compra segurança em condição adversa e menor risco de estande, sobretudo em semeadura de risco, não um teto de produção mais alto em condição ideal.

B6. Resposta esperada:

(i) A germinação diz quantas sementes formam plântula normal em condição ideal, mas não onde nem por que o lote está comprometido. O tetrazólio avalia a atividade das desidrogenases (o hidrogênio da respiração reduz o sal a formazan vermelho, que se fixa no tecido vivo; tecido morto fica sem cor) e, com isso, estima viabilidade e vigor e localiza e identifica a causa e a extensão do dano, mecânico, por umidade, por percevejo ou por temperatura.

(ii) Na classificação da Embrapa Soja (8 classes): soma das classes 1 a 3 = vigor; soma das classes 1 a 5 = viabilidade; classes 6 a 8 = não viáveis. As classes 4 e 5 são sementes vivas, mas com vigor comprometido, com risco para o arranque inicial.

(iii) A causa aponta para pontos diferentes da cadeia a corrigir: dano de percevejo (necrose por Nematospora coryli) remete ao campo ou manejo da lavoura-mãe; dano mecânico remete à regulagem da colhedora ou ao beneficiamento. Nos dois casos, o comprometimento nas classes 4-5 recomenda não usar em semeadura precoce e ajustar a densidade, mas saber onde intervir para a próxima safra depende de identificar a causa, o que só o tetrazólio revela.

Bloco C

C1. Resolução (4 casas decimais):

(i) Densidade corrigida pelo vigor = 19 × 1,15 = 21,8500 sementes/m. Coerente com a tabela de Peske, que indica "cerca de 22 sementes/m" para germinação de 80% com baixo vigor (21,8500 aproximadamente 22).

(ii) Conversão para sementes/ha (× 20.000 m de sulco/ha):

Sem correção: 19 × 20.000 = 380.000,0000 sementes/ha.

Com correção: 21,8500 × 20.000 = 437.000,0000 sementes/ha.

(iii) Diferença por hectare = 437.000,0000 − 380.000,0000 = 57.000,0000 sementes/ha. Para 150 ha: 57.000,0000 × 150 = 8.550.000,0000 sementes a mais.

Comentário: a correção de densidade compensa apenas parcialmente a deficiência de vigor. Recupera o número de plantas, mas não elimina a desuniformidade de emergência, lotes de baixo vigor emergem em momentos diferentes, gerando variação de tamanho na lavoura, um componente de produtividade independente do estande. Um lote de alto vigor atingiria o estande adequado praticamente independente da densidade; o de baixo vigor gasta mais semente e ainda carrega o risco de desuniformidade.

C2. Diagnóstico esperado:

Pela germinação, os lotes são indistinguíveis (92% = 92%): ela é o teto medido em condição ideal e não discrimina desempenho em campo adverso. O envelhecimento acelerado discrimina: o lote Y (82%) tem maior vigor que o lote X (70%), e como os dois foram testados na mesma espécie e nas mesmas condições, a comparação relativa é válida (o vigor não tem escala absoluta; 70% e 82% só significam algo comparados entre si). Os dois estão dentro do padrão de comercialização, mas o lote X, com envelhecimento acelerado no piso da faixa de uma testemunha de soja (70 a 80%), já revela algo comprometido antes do laboratório.

Recomendação (ranqueamento por vigor): destinar o lote Y (alto vigor) à semeadura antecipada, borda da janela (solo quente, chuvas irregulares), onde a exigência de vigor é maior; e o lote X (menor vigor) à área de clima estável, ponto ótimo da janela, onde ainda cumpre bem a função.

Se fosse forçoso usar o lote X na área de risco, caberia ajustar a densidade (aproximadamente 15%), ciente de que isso não elimina a desuniformidade de emergência, por isso não é a primeira escolha.