Gabarito comentado, Aula 07: Dormência de Sementes¶
Tip
Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: será discutido em sala. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio no ponto indicado, entender por que a resposta é essa vale mais que acertar.
Bloco B¶
B1. Resposta: (A).
A elevação de temperatura ajuda a romper a dormência primária do arroz, porque o calor reduz a peroxidase que sustenta o bloqueio fenólico. Mas secagem acima de 42°C até abaixo de 11% de umidade faz o contrário: instala dormência secundária por interferência do pericarpo na entrada de água, um bloqueio diferente do respiratório original. A mesma operação resolve ou cria o problema conforme é conduzida.
(B) Confunde dormência com morte.
(C) Inverte a lógica (mais secagem não é a cura, o excesso foi a causa).
(D) É falsa, pois a dormência do arroz responde, sim, à temperatura.
B2. Resposta: (B).
Pelas RAS, semente dura é a que permanece sem absorver água até o fim do teste, por impermeabilidade do tegumento, não é a rigidez ao toque que a define. Por isso o texto alerta: Brassicaceae e gimnospermas podem parecer duras por serem rígidas, mas têm tegumento permeável e absorvem água, logo não são classificadas como duras.
(A) Troca o critério certo (embebição) por outro (rigidez).
(C) Inverte exatamente o alerta do texto.
(D) Ignora o único critério que separa dura de dormente.
B3. Resposta: (C).
Os dois bloqueios são independentes, mas a sequência é obrigatória e não pode ser invertida: a superação do bloqueio tegumentar vem primeiro, porque sem embebição o giberélico (ou a estratificação) não tem como agir sobre o embrião.
(A) Erra a prioridade, quem define a ordem é a embebição, não a "profundidade" do bloqueio.
(B) Usa uma verdade parcial (mecanismos independentes) para concluir errado sobre a ordem.
(D) Esquece que o bloqueio fisiológico persiste depois da escarificação.
B4. Resposta esperada:
Em braquiárias, a dormência é ao mesmo tempo obstáculo e atributo biológico esperado em sementes recém-colhidas. O lote colhido diretamente tem maior imaturidade relativa na colheita e, por isso, dormência mais intensa que o colhido por varredura (após maturação e deiscência natural, com dormência residual mínima). A germinação baixa reflete dormência não superada, não lote ruim.
Conduta: a superação natural ocorre no armazenamento a seco (15°C a 25°C, com livre circulação de ar) ao longo de semanas a meses; a análise de germinação deve aguardar essa superação antes de servir como referência de qualidade.
B5. Resposta esperada:
A deposição de suberina e ceras que torna o tegumento impermeável ocorre nos estádios finais da maturação. A colheita antecipada (16% a 19% de água é prática comum no Cerrado) interrompe esse processo antes de completar, gerando dormência física residual anômala, com maior proporção de sementes duras logo após a colheita, problema que não existiria na colheita no ponto certo.
Antes de reprovar, o analista deve considerar o histórico do lote (colheita antecipada; e veranicos na maturação também elevam as duras); as duras têm potencial germinativo real e somam-se às normais na estimativa do valor cultural; o caso pode exigir superação de dormência física antes dos testes oficiais ou reteste após armazenamento.
B6. Resposta: (D).
O revolvimento do solo estimula a germinação do banco sobretudo pela exposição à luz, que ativa o fitocromo (a forma Pfr promove síntese de giberelinas) e sinaliza condições favoráveis para sementes com dormência fisiológica fotossensível. Na semeadura direta, a palha filtra a luz e mantém mais sementes em dormência secundária, reduzindo, sem eliminar, a emergência de daninhas.
(A) Foge do mecanismo de dormência.
(B) Atribui à palha um efeito tóxico que ela não tem (ela filtra luz, não mata o banco).
(C) Inverte, a palha mantém dormência secundária, e a dormência primária é estabelecida na maturação, não no solo.
Bloco C¶
C1. Resolução esperada:
Lote 1 (Stylosanthes): dormência física por impermeabilidade tegumentar. É Fabaceae e as sementes não embeberam (aspecto de recém-colocadas, não intumescidas), são "duras". Superação: escarificação, mecânica (atrito que reduz a camada paliçádica sem atingir o embrião), química (H₂SO₄ concentrado, com lavagem obrigatória) ou térmica (água quente controlada).
Lote 2 (beterraba): dormência química por inibidores no pericarpo. As sementes embeberam e ficaram turgidas, mas não germinaram, logo não é física. Superação: lavagem em água corrente (aproximadamente 10 minutos), que lixivia os compostos inibidores.
Lote 3 (arroz): dormência por impermeabilidade a gases. Bloqueio respiratório por compostos fenólicos nas glumelas/pericarpo; a semente embebe (por isso fica turgida) e o embrião está maduro. Superação: um dos tratamentos formais das RAS 2025, pré-secagem em estufa (50°C, 96h), maceração em água (40°C, 24h), imersão em hipoclorito de sódio 0,5% (24h), pré-aquecimento (50°C) ou imersão em HNO₃ 1N (24h); o armazenamento a seco também supera naturalmente.
Chave do diagnóstico: o teste de embebição separa os grupos, não embebeu leva a física (escarificar); embebeu significa que o bloqueio é interno, por inibidores ou por gases, e o método muda conforme o mecanismo. Método certo aplicado ao tipo errado não tem resultado.
C2. Diagnóstico esperado:
(i) As sementes duras são dormência física: embrião íntegro, potencial germinativo preservado; escarificadas, germinam, porém de forma escalonada no tempo. Na soja, o tegumento impermeável ainda torna a semente mais tolerante ao retardamento de colheita e ao armazenamento.
(ii) O potencial germinativo real aproxima-se da soma de plântulas normais mais duras = 72 + 20 = 92% (as duras têm potencial real e por isso somam-se às normais na estimativa do valor cultural). Ressalva: essa germinação não é sincronizada, as duras emergem escalonadas.
(iii) Antes de decidir: as RAS preveem tratamentos de superação de dormência física antes ou durante o teste, informados no campo "Tratamento Especial"; um reteste após superação/armazenamento revela o valor real e evita a rejeição indevida de um lote de alto valor agronômico.
Tensão com o MAPA: a Lei nº 10.711/2003 e o Decreto nº 10.586/2020 exigem que o lote atenda aos padrões mínimos de germinação por espécie; um lote fora do padrão não pode ser comercializado como semente, independentemente do potencial real do embrião. Ou seja, o potencial "guardado" só conta se o tratamento de superação for aplicado e o laudo passar a refletir a germinação recuperada.