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Gabarito comentado, Revisão da Unidade I (Aulas 01 a 04)

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Tip

Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: será discutido em sala. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio da aula indicada, entender por que a resposta é essa, e quais aulas ela cruza, vale mais que acertar.

Bloco B

B1. Resposta: (A).

A soja é exalbuminosa: as reservas estão nos cotilédones e se mobilizam neles sem depender de sinal hormonal do eixo para ativar as enzimas (o eixo, ainda assim, é indispensável como destino dos produtos). O milho é albuminoso: a alfa-amilase é produzida na camada de aleurona em resposta à giberelina do embrião/escutelo.

(B) Dá à aleurona do milho um papel de cotilédone que ela não tem.

(C) Transfere para a soja um mecanismo de gramínea (aleurona + escutelo).

(D) Faz o eixo virar dispensável, o que nunca ocorre.

(Cruza estrutura de reserva, Aula 03, com mobilização na germinação, Aula 04.)

B2. Resposta esperada:

O erro é confundir teor de água com maturidade fisiológica. A maturidade fisiológica é o ponto de máximo acúmulo de matéria seca, e em soja ocorre com teor de água ainda alto (aproximadamente 50%). Colher só pela queda da umidade pode capturar sementes que ainda não atingiram esse ponto, com reservas incompletas.

Como o máximo vigor coincide com a maturidade fisiológica ou a precede ligeiramente, colher antes do máximo de matéria seca entrega vigor abaixo do teto genético, que nenhum beneficiamento recupera. O teor de água calibra a maturidade de colheita (aproximadamente 14 a 18% no Cerrado), não identifica a maturidade fisiológica.

(Cruza maturidade fisiológica, Aula 02, com vigor/qualidade fisiológica, Aulas 04 e 01.)

B3. Resposta: (C).

O tegumento é materno (deriva dos integumentos do óvulo) e reflete só a planta-mãe; a contaminação por pólen estranho só se expressa na geração seguinte, quando o embrião (2n, mãe + pai) crescer como planta.

(A) e (D) Supõem o tegumento carregando gene paterno, e (D) ainda erra dizendo que o embrião forma o tegumento.

(B) É falsa: o endosperma é 3n e carrega gene paterno (2n materno + n paterno); ele apenas não é o tecido usado para rastrear pureza pelo tegumento.

(Cruza origem materna do tegumento, Aula 02, com qualidade genética/pureza, Aula 01.)

B4. Resposta: (B).

A fase I é absorção física e ocorre igualmente em sementes vivas e mortas (tegumento permeável). A distinção surge na fase II: a viva faz reparo de membranas, reparo de DNA e síntese proteica via mRNAs pré-formados; a morta estagna e não progride.

(A) Inverte o fato central.

(C) Erra duas vezes, a morta não chega à fase III, e a soja não tem endosperma amiláceo (é exalbuminosa).

(D) Inventa um atalho: o alto teor de proteína acelera a embebição, mas não elimina a fase II.

(Cruza embebição trifásica, Aula 04, com composição/ausência de endosperma amiláceo, Aula 03.)

B5. Resposta esperada:

Temperaturas acima de 30°C na fase de acúmulo de reservas reduzem a fotossíntese e encurtam o enchimento, causando maturação forçada: translocação incompleta das reservas (menor matéria seca) e degradação incompleta da clorofila, o que produz as sementes esverdeadas, marcador de estresse na maturação, muitas vezes com tegumento mais permeável.

No plano químico, a soja é rica em ácidos graxos poli-insaturados (linoleico e linolênico) e em proteína, o que a torna intrinsecamente mais suscetível à peroxidação; com reservas e membranas incompletas, o resultado é menor germinação e menor vigor. É um comprometimento decidido no campo, que o armazenamento não reverte.

(Cruza efeito térmico na maturação, Aula 02, com composição, Aula 03, e qualidade fisiológica, Aula 01.)

B6. Resposta: (D).

A longevidade das sementes ortodoxas depende da manutenção do estado vítreo, sólido amorfo de altíssima viscosidade que quase imobiliza as reações deteriorativas, formado por sacarose com rafinose/estaquiose, acúmulo que se completa na dessecação da maturação.

(A) Inverte a química: poli-insaturados são mais reativos com o oxigênio.

(B) É falsa, a atividade de fitases na semente seca é mínima, e fitase hidrolisa fitato, não neutraliza ROS.

(C) Contraria a conservação: menos água prolonga a vida do lote.

(Cruza açúcares protetores, Aula 03, com estado vítreo/semente ortodoxa, Aula 02.)

B7. Resposta: (A).

A germinação de laboratório é medida em condição ótima e entrega o potencial máximo; não prevê solo seco/frio/compactado. Quando lotes de mesma germinação divergem em campo, o discriminador é o vigor.

(B) Nega a própria razão de existir do conceito de vigor.

(C) Usa dormência para explicar emergência maior, o que é incoerente (dormência reduz germinação).

(D) Atribui a diferença à pureza física, que não mede desempenho fisiológico.

(Cruza germinação de laboratório × emergência de campo, Aula 04, com vigor, Aula 01.)

B8. Resposta esperada:

Na dupla fertilização: um gameta masculino funde-se à oosfera, formando o embrião 2n (mãe + pai); o outro funde-se à célula central binucleada, formando o endosperma 3n (2n materno + n paterno); o tegumento deriva dos integumentos do óvulo, tecido materno (2n).

Ligação com a reserva: nas dicotiledôneas como a soja (exalbuminosa), o endosperma é absorvido durante o desenvolvimento e as reservas ficam nos cotilédones; nas gramíneas como o milho (albuminosa), o endosperma persiste como principal órgão de reserva na semente madura, mobilizado com auxílio da camada de aleurona. Mesma origem embrionária geral, destino de reserva oposto.

(Cruza dupla fertilização/ploidia, Aula 02, com tipo de reserva, Aula 03.)

B9. Resposta: (C).

A soja tem emergência epígea: o hipocótilo leva os cotilédones acima do solo. A mais de aproximadamente 8 cm, a reserva pode não sustentar essa travessia, e o baixo vigor amplifica a limitação.

(A) Troca o padrão (a soja não é hipógea nem tem coleóptilo).

(B) Atribui à soja um fotoblastismo positivo que ela não tem (é neutra).

(D) Invoca temperatura mínima sem base, o problema é energético/mecânico, não térmico.

(Cruza emergência epígea/profundidade, Aula 04, com vigor e estande, Aula 01.)

Bloco C

C1. Resolução (4 casas decimais):

Soja (por mil sementes = 180 g): proteína: 180 × 0,37 = 66,6000 g. Lipídio: 180 × 0,17 = 30,6000 g. Carboidrato: 180 × 0,26 = 46,8000 g.

Milho (por mil sementes = 320 g): proteína: 320 × 0,10 = 32,0000 g. Lipídio: 320 × 0,05 = 16,0000 g. Carboidrato: 320 × 0,80 = 256,0000 g.

(ii) A soja acumula mais lipídio por mil sementes: 30,6000 g contra 16,0000 g do milho, mesmo com PMS menor.

(iii) A soja combina alto teor lipídico com predomínio de ácidos graxos poli-insaturados (linoleico e linolênico), muito mais reativos com o oxigênio, e alto teor proteico. Essa composição a torna mais propensa à peroxidação de lipídios, o mecanismo central da deterioração, do que um cereal amiláceo como o milho, cuja reserva é majoritariamente carboidrato (menos oxidável); o embrião, rico em lipídios, é o alvo preferencial.

(Cruza composição, Aula 03, com importância/deterioração, Aulas 01 e 02.)

Observação: as porcentagens da tabela de reservas não somam 100% (o restante é tegumento, água, cinzas e componentes menores); os cálculos usam só os três componentes tabelados, como pede o enunciado.

C2. Resolução (4 casas decimais):

(i) Queda em pontos percentuais: Lote 3: 95 − 68 = 27,0000 pontos. Lote 4: 97 − 82 = 15,0000 pontos.

(ii) Emergência relativa (emergência ÷ germinação × 100): Lote 3: 68 ÷ 95 × 100 = 71,5789%. Lote 4: 82 ÷ 97 × 100 = 84,5361%.

(iii) Recomenda-se o Lote 4: menor queda (15,0000 contra 27,0000 pontos) e maior emergência relativa (84,5361% contra 71,5789%), ou seja, aproveita melhor seu potencial quando o campo não colabora. A germinação de laboratório quase idêntica (97 contra 95) não anteciparia essa diferença, ela é o teto e não prevê o campo adverso. O atributo que separa os dois lotes é o vigor, o conceito que a Unidade I aponta como ausente do boletim padrão.

(Cruza germinação × emergência, Aula 04, com vigor, Aula 01.)

C3. Diagnóstico esperado:

Isolado, o lote "quase passa" (germinação de 84% parece aceitável). Cruzando as aulas:

(1) o calor acima de 30°C na fase de reserva causou maturação forçada, com enchimento incompleto e clorofila retida (sementes esverdeadas) e provável tegumento mais permeável;

(2) reservas e membranas ficaram incompletas em uma semente já rica em poli-insaturados, logo com antioxidantes e membranas comprometidos e maior propensão à peroxidação;

(3) a germinação de 84% é o teto em condição ideal e não prevê a emergência em solo quente e seco, onde o vigor (não medido no boletim) é o discriminador.

Conduta: pedir teste de vigor antes de decidir; tratar as sementes; evitar semear em solo quente e seco sem chuva prevista (o período seco antes da embebição acelera a deterioração e a reembebição abrupta causa dano); ajustar taxa e época pelo vigor e pelo histórico climático, não só pelo número de germinação.

(Cruza maturação, Aula 02, com composição, Aula 03, e germinação/vigor, Aulas 04 e 01.)