Gabarito comentado, Revisão da Unidade II (Aulas 05 a 08)¶
Tip
Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: é discutido em sala. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio da aula indicada, entender por que a resposta é essa, e qual aula o caso cruza, vale mais que acertar.
Bloco B¶
B1. Resposta: (C). (Cruza Aula 06 com Aula 08.)
Acima de 18% de umidade predomina o dano latente (amassamento): não aparece na avaliação visual nem na germinação feita logo após a colheita, e só se manifesta semanas a meses depois, detectável apenas por tetrazólio.
(A) É o erro central, pois o latente justamente escapa à germinação.
(B) Confunde com o dano imediato (trincamento, umidade abaixo de 13%), que não tem manifestação tardia.
(D) Supõe reversibilidade, e dano/deterioração é irreversível.
B2. Resposta esperada: (Cruza Aula 07 com Aula 08.)
(i) Dormentes iguais ou acima de 5% obrigam verificação de viabilidade por tetrazólio ou dissecção: viável permanece dormente; inviável soma às mortas.
(ii) As duras (impermeabilidade do tegumento, embrião íntegro) têm potencial germinativo real superável por escarificação e somam-se às normais para estimar o potencial do lote (70% + 12% = 82%), ainda que germinem de forma escalonada.
(iii) Cada categoria, normais, anormais, duras, dormentes, mortas, vai separada no boletim, soma 100; juntá-las como "não germinadas" superestima ou subestima a germinação real e apaga a informação que decide a conduta (escarificar, verificar viabilidade ou descartar).
B3. Resposta: (B). (Cruza Aula 05 com Aula 08.)
As faixas de condutividade (até 25; 25 a 29; 30 a 43; acima de 43) valem para ervilha, único padrão publicado com base experimental suficiente; soja e milho não têm faixas universais equivalentes, usa-se índice interno calibrado por empresa. Aplicar a régua da ervilha a um laudo de soja é o erro técnico que a Aula 05 manda corrigir.
(A) É a armadilha.
(C) Inverte, a condutividade mede a integridade de membrana no momento presente, não o futuro, e 21 (baixo) indicaria alto vigor.
(D) Comparar testes diferentes entre si é inválido.
B4. Resposta: (A). (Cruza Aula 06 com Aula 08.)
Pela regra de Harrington, cada ponto percentual a menos no teor de água dobra o período seguro; e para soja recomenda-se armazenar abaixo de 13%, porque acima de 14% predomina o Aspergillus flavus. O boletim está aprovado, mas fotografa o passado e o teor elevado acelera a deterioração já em curso.
(B) Ignora que o boletim não capta a deterioração posterior à coleta.
(C) Contraria a orientação de que, havendo escolha, o controle da umidade é preferível ao da temperatura.
(D) Espera a germinação cair, que é o último atributo a ceder, tarde demais.
B5. Resposta esperada: (Cruza Aula 07 com Aula 08.)
Arroz recém-colhido carrega dormência por impermeabilidade a gases (compostos fenólicos nas glumelas/pericarpo retêm O₂ e bloqueiam a respiração): germinação baixa sem deterioração real.
Antes de condenar o lote: verificar viabilidade (o tetrazólio distingue viável de morto, útil porque a germinação não separa dormência de inviabilidade) e/ou aguardar a superação natural no armazenamento a seco (6 a 7 meses costumam bastar na região) ou aplicar tratamentos formais das RAS (pré-secagem 50°C/96h, maceração em água 40°C/24h, hipoclorito 0,5%, pré-aquecimento 50°C, ou HNO₃ 1N/24h).
A germinação subir depois não é ganho: a qualidade fisiológica é definida antes do armazém e nunca aumenta ali, o que sobe é a superação da dormência que já estava no lote. Reanalisar após o período.
B6. Resposta: (D). (Cruza Aula 05 com Aula 08.)
Área descolorida de bordas nítidas no hilo/cotilédone é a assinatura do dano mecânico de colheita, e as classes 6 a 8 são inviáveis, não computadas na viabilidade (viabilidade = 1 a 5; vigor = 1 a 3).
(A) Percevejo dá mancha esbranquiçada e tecido esponjoso, não bordas nítidas, e 6 a 8 nunca contam na viabilidade.
(B) Deterioração por umidade dá padrão difuso no eixo/escutelo, o oposto de bordas nítidas.
(C) Dano latente não é reversível.
B7. Resposta esperada: (Cruza Aula 06 com Aula 05.)
Germinação igual mascara estágios de deterioração distintos: o vigor cai antes e mais rápido que a germinação, então lotes de mesma germinação de entrada podem estar em fases oxidativas diferentes, um ainda na Fase I (reações iniciais, redução leve do vigor) e outro já na Fase II (peroxidação intensa, lixiviação de solutos, malondialdeído), sem que o teste padrão os separe.
Só os testes de vigor (envelhecimento acelerado, condutividade) enxergam essa distância na entrada. A qualidade inicial é o ponto de partida de uma curva que nunca sobe: quem entra em Fase II não se equipara, em longevidade, a quem entrou em Fase I, mesmo com a mesma germinação; e a deterioração de campo se soma, irreversível, à do armazém.
B8. Resposta: (A). (Cruza Aula 07 com Aula 06.)
A colheita antecipada (16% a 19%) pode interromper a deposição de suberina e ceras no tegumento antes de completar-se, gerando grau anômalo de dormência física residual, mais sementes duras logo após a colheita. É maturação interrompida, não deterioração.
(B) Duras têm embrião íntegro, não são mortas.
(C) 17% não isenta de dano, a faixa de dano mínimo é 13 a 14% e a soja fragilizada por umidade fica mais suscetível ao impacto.
(D) Duras são viáveis, não sinal de perda de vigor.
B9. Resposta: (B). (Cruza Aula 05 com Aula 08.)
O resultado de um teste de vigor expressa probabilidade relativa de bom desempenho frente a outro lote testado nas mesmas condições, não o número exato de plantas que emergem. X tem mais vigor que Y; isso não vira "78% emergem".
(A) Inverte, comparar lotes da mesma espécie no mesmo teste é o uso válido, e o envelhecimento acelerado é o que ranqueia.
(C) Germinação igual não garante emergência igual, pois o vigor difere.
(D) Para soja o teste de referência é o envelhecimento acelerado (o teste de frio é o do milho).
Bloco C¶
C1. Resolução (4 casas decimais): (Cruza Aula 08 com Aula 05.)
Valor cultural (VC = pureza × germinação ÷ 100) = 97 × 82 ÷ 100 = 79,5400%.
Taxa de semeadura (QS = Dp × PMS ÷ (VC × 10); Dp = 280.000, PMS = 170, numerador = 47.600.000):
47.600.000 ÷ (79,5400 × 10) = 47.600.000 ÷ 795,4 = 59.844,1036 g/ha = 59,8441 kg/ha.
Correção de baixo vigor (+15%): QS corrigida = 59,8441 × 1,15 = 68,8207 kg/ha. Acréscimo por hectare = 68,8207 − 59,8441 = 8,9766 kg/ha. Para 320 ha: 8,9766 × 320 = 2.872,5120 kg a mais.
Comentário: o VC corrige pureza e germinação de laboratório, mas não incorpora o vigor. A correção de aproximadamente 15% aproxima o estande, porém não elimina a emergência desuniforme, lotes de baixo vigor produzem plantas que emergem em momentos diferentes, gerando variação de tamanho na lavoura, componente de produtividade que nenhum ajuste de densidade resolve. Em semeadura antecipada, sob solo seco e quente, a emergência real pode ficar abaixo do que o VC sugere.
C2. Resolução (4 casas decimais): (Cruza Aula 06 com Aula 05.)
Regra de Harrington: o período seguro dobra a cada 1 ponto percentual de redução no teor de água ou a cada 5,5°C de queda na temperatura; as reduções são aditivas (as dobras se somam). Faixa válida: 5% a 14% de umidade e 0°C a 50°C (o caso respeita ambas).
Umidade: 12% para 9% = 3 pontos, 2³ = 8,0000×.
Temperatura: 30°C para 19°C = 11°C = 11 ÷ 5,5 = 2 quedas de 5,5°C, 2² = 4,0000×.
Efeito aditivo: 3 + 2 = 5 dobras, 2⁵ = 32,0000×.
Resposta: o período de armazenamento seguro aumenta 32 vezes.
Diagnóstico: 32× retarda a deterioração, mas não a reverte. A qualidade fisiológica é o ponto de partida da curva de declínio: um lote que entrou já em Fase II do processo oxidativo não se equipara, em longevidade, a um que entrou em Fase I, mesmo com a mesma germinação de entrada e sob as mesmas condições, apenas deslizam por curvas diferentes. Reduzir umidade e temperatura administra a deterioração existente; não recupera a vantagem perdida antes do armazém.
C3. Resolução (4 casas decimais): (Cruza Aula 07 com Aula 08.)
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VC formal = pureza × germinação ÷ 100 = 97 × 52 ÷ 100 = 50,4400% (a germinação oficial conta só as plântulas normais).
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As sementes duras têm potencial germinativo real (embrião íntegro, impermeabilidade superável por escarificação) e, em forrageiras, somam-se às normais para estimar o potencial do lote: 52% + 24% = 76%. Recalculando sobre a pureza: 97 × 76 ÷ 100 = 73,7200%. Os 9% de dormentes (iguais ou acima de 5%) ainda exigem verificação por tetrazólio/dissecção antes de entrarem em qualquer conta (viável para dormente; inviável para morta).
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Apesar do potencial real (aproximadamente 76%), o lote pode não ser comercializável: os padrões do MAPA fixam germinação mínima por espécie, e uma proporção de duras acima do limite pode comprometer a aprovação mesmo com normais + duras altas, porque as duras germinam de forma escalonada no tempo. Conduta: verificar a viabilidade das dormentes e, conforme o destino e a exigência do comprador, incluir escarificação no beneficiamento (informada no campo "Tratamento Especial") ou reteste após tratamento de superação, para que o número oficial reflita o potencial real.